Friends are not FOOD

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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Resenha: Histórias Não Contadas Nos Almoços de Domingo de Filipe Smidt Nunes


Histórias Não Contadas  Nos Almoços de Domingo
Quando peguei o livro nas mãos, já gostei da capa. Na  ilustração, o  recorte de  um  dia de domingo com familiares, amigos, e no meio um cachorro.  A ele oferecem não um pedaço de carne, mas um caulezinho de brócolis.
O livro é composto por 25 pequenos contos, uns narrados  em primeira, outros em terceira pessoa. Perfeitos para serem lidos, em pequenos espaços de tempo,  entre uma aula e outra, no consultório à espera do medico ou dentista, aguardando o Uber ou mesmo naquele restinho de dia quando já na cama, chamamos o sono pra levar embora nosso cansaço.
O autor, um jovem graduado em Direito, Filipe Smidt Nunes cuja sensibilidade e talento se alastra como fogo em palha seca por entre as palavras muito bem escolhidas, formando frases cheias de conteúdo e significado. A Editora, a Metamorfose,  uma  empresa nova no mercado que já vem se destacando pela qualidade das obras que edita.
Essas histórias não contadas  nos dias de domingo vão fazer você sentir na pele o frio de outros corpos, vão fazer  você  vivenciar a realidade sob a perspectiva de outros seres cujos interesses e pontos de vista pouca gente percebe.
Neste livro reluz o conto que em minha opinião é um dos mais belos da literatura brasileira: Mãe.  Sem diminuir a relevância dos outros, esse conto em especial, me fez fechar o livro, num susto, olhar para o alto e suspirar. Comovida e por que não  dizer, assustada pela força da narrativa, caminhei pela casa, olhei a rua, as árvores, brinquei  com meus cães e gatos e voltei à poltrona para ler os outros que igualmente, surpreendem e encantam.
Super recomendo essa leitura!

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Pré Venda- Sherlock Cat


O que pode acontecer na vida de seis gatinhos no dia que mudam de residência? E se, agregado a toda a curiosidade e insegurança do desconhecido, surgir uma imensa vontade de ajudar o próximo? Sherlock Cat é isso: Uma mistura de ronrons solidários com descobertas deliciosas e você não pode ficar fora dessa!

What happens in the lives of six cats on the day they move to a new house? What if, on top of all the curiosity and insecurity for the unknown, these kittens find out that they can be helpful? This is Sherlock Cat: A mix of supportive purrs with delightful findings. You will not want to miss it!

www.sinarafoss.com.br

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Sherlock Cat - Em Português





O que pode acontecer na vida de seis gatinhos no dia que mudam de residência? E se, agregado a toda a curiosidade e  insegurança  do desconhecido, surgir uma imensa vontade de ajudar o próximo? Sherlock Cat é isso: Uma mistura de ronrons solidários com descobertas deliciosas, e você não pode ficar fora dessa!

Editora Metamorfose

Sherlock Cat - In English




What happens in the lives of six cats on the day they move to a new house? What if, on top of all the curiosity and insecurity for the unknown, these kittens find out that they can be helpful? This is Sherlock Cat: A mix of supportive purrs with delightful findings. You will not want to miss it!
Editora Metamorfose

domingo, 2 de dezembro de 2018

Autoestima Elevada é Tudo





                Carros subiam em círculo naquela  hora no estacionamento vertical  procurando uma vaga. Poucos  minutos faltavam para as  8 horas  da manhã. Gerson observou  pelo retrovisor um SUV  vermelho. No volante uma  motorista  cuja beleza reluzia como um espelho no sol. Sem  conseguir disfarçar sua admiração ficou  encarando-a. A mulher saiu do carro  movimentando-se  como uma bailarina. Longos cabelos  claros e ondulados  caiam pelos  seus  ombros, a  roupa que esvoaçava sem vento mal escondia  um corpo cujas curvas  fariam inveja a Afrodite. Sem conseguir  vaga, contentou-se em vê-la desfilar em direção aos elevadores. Deu de ombros ao pensar que  mulheres lindas como aquela, ligam para ele  todos os dias.
              Na manhã  seguinte, o mesmo carro, a mesma  hora, a mesma linda mulher Dessa  vez  não iria perder a oportunidade. Viu onde ela estacionou. Deu um jeito de  entrar na primeira vaga à sua frente.  Dessa  vez, pôde  ouvir o toque dos saltos de seu calçado em contato com o chão retumbando e sintonizando com as batidas cada vez mais  aceleradas  do seu coração.
              Apressou o passo para entrar com ela  no elevador. A deusa  inclinou o  corpo e segurou a  porta  sorrindo com  expressão divertida. Os olhos feitos de um musgo escuro sorriram travessos.   Dentes muito alvos combinavam com o rosto quase  sem maquiagem. Uma mão pequena com alguns anéis e uma pulseira apertou o botão do andar pretendido.
             Quando ia falar com ela, seu  telefone tocou. A voz era um canto de sereia que o enfeitiçava.  Apertou as mãos torcendo que a ligação terminasse logo. No entanto, ainda  falando, ela saiu não sem antes levantar os olhos e  sorrir.
             Trabalhou manhã e tarde sem  que se concentrasse em nada. Só pensava na mulher do estacionamento. Os dois  encontrariam –se  novamente, eles  conversariam e é claro, ela  se interessaria  por ele. Pensou em qual restaurante  iriam, que prato e que vinho escolheria para impressiona-la. Depois do jantar, a levaria a um lugarzinho mais reservado, com alguma música  ao vivo. Isso tudo, se  sua  conversa  fosse  envolvente e se equiparasse  a sua beleza. Se  ao contrário, fosse uma mulher  chata  e vazia,  faria como sempre.  Programaria  o telefone  pra tocar meia  hora  depois  do  início do jantar. Se a companhia estiver agradável  apenas  dispensará  a ligação,  senão,  aproveitará o ensejo  com a desculpa.  Sairá apressado sem  nem pagar a conta.  Riu sozinho, pensando que é um ótimo ator!
            No final do expediente subiu pela escada de dois em dois degraus. Ao chegar ao estacionamento procurou o carro dela. Na vaga da camionete vermelha,  estava um  carro branco menor. Sacodiu a cabeça e sorriu confiante. Sabia  que  mais dia menos dia iriam se encontrar e seu plano seria bem sucedido.
            Ao se aproximar  do carro viu um papel  branco, pequeno, preso no limpador de para-brisas. Diminui o passo, estufou o peito, olhou para o lado. Sorriu com a boca  torta sem mostrar os dentes. Sabia que ela não iria embora assim, sem deixar seu contato.
Assobiava uma  música  quando pegou o papel. O sorriso morreu, a confiança fugiu de  seu rosto ao ler:
- Multa Por Estacionar em  Vaga para Deficiente

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Novembro Azul


João Temente parou na frente do prédio onde destacava se a placa com letras grandes: Clínica Vitae.  Passou pelo pátio gramado e as folhagens viçosas. Ao lado, um enorme estacionamento.  Olhou o papel em sua  mão, confirmando o endereço  e entrou sem pensar muito.   No térreo, uma moça amável recepcionava  atrás de uma mesa retangular de vidro muito limpa, vestia calça e jaleco brancos.  O cabelo preso  num coque no alto da nuca, deixava bem a mostra  o seu sorriso amistoso.  
- Boa tarde, Sr  João. – Ela entregou a requisição que ele lhe mostrara  ao chegar. Joao jurava que conseguiria ver até os seus sisos
 -  Aguarde  um pouquinho, por favor. Houve um pequeno imprevisto, mas está tudo sob controle. - Ela apontou uma das  poltronas azuis dispostas na sala de espera. – O senhor pode  servir-se  de café, água ou chá nas nossas máquinas.  Fique  calmo.-  Sorriu novamente  - Vai dar tudo certo! É um exame  rápido, e simples.
Joao abaixou a cabeça, apertou os lábios esperando que ninguém tivesse ouvido. Era a primeira vez que fazia o tal exame e sentia-se inseguro. Nos assentos à sua frente, aguardavam  dois homens  com idades semelhantes à sua, e três mulheres . Duas  conversavam amenidades  e a terceira, silenciosa,  folheava  uma revista.  João olhou o relógio.  Eram 9.00 h. da manhã.
A porta de ligação entre os consultórios e a recepção se abriu. Um homem jovem vestindo roupas alvas cuja estatura  quase chegava à soleira da porta fez  sua respiração parar. João observou o tamanho de seus dedos quando  a recepcionista lhe entregou a lista dos pacientes  da manhã. Percebeu  que  sua mão aberta, era maior que a folha A4. Pela  primeira vez em sua vida, prestava  a atenção em mãos  masculinas.
 Puxou do bolso  um  lenço xadrez e secou o suor que pingava.  A transpiração escorreu  nas têmporas, atrás  do pescoço. Levantou  e foi até o bebedouro pegar um copo de água gelada.  Pensou em sair, ir embora.
- Dr.  Lacerda, Bom dia!    vou começar a passar   suas pacientes. – O sorriso dela aumentava  seu desconforto.  Lacerda...Lacerda não era o nome do seu médico.  Olhou pela quinta vez  o nome na requisição:  Dr. V Bellfort  
Soltou o ar como se fosse um balão de aniversário desinflando, o som foi o mesmo. Os outros pacientes na espera,  o olharam  curiosos, preocupados até  com seu bem estar. Sorriu, sem graça e ajeitou-se no assento.
Virou o pescoço para o alto e  suspirou. Pensou nas piadas e brincadeiras  dos amigos quando falavam em urologistas e exame de toque retal. Sabia que era necessário avaliar a saúde da próstata. Todos os homens  com mais de 50  anos de idade precisavam realizar esse exame  anualmente.
A mão do médico não saía de sua cabeça, o tamanho de seus dedos...
Não ia fazer o exame. “ Seja o que Deus quiser” -  pensou -  “mas não vou fazer!”
Joao suspirou fundo e levantou.  Dessa vez  soltou o ar pela boca  sem fazer barulho. Olhou para os lados  planejando a saída. Coçou o nariz e saiu à rua sem olhar para trás. Quanto mais se afastava da clínica, mais rápido caminhava. Chegou ao carro e partiu.
Quando a médica com cabelos castanhos claros ondulados, corpo estilo mignon, chamou  o seu nome na recepção João nem ouviu.
-  Senhor João. João Temente.  – Repetiu mais alto a médica proctologista com mãos  delicadas – João Temente.
- Doutora Vanessa – Explicou  a recepcionista com voz carregada de desculpas  - Não  vi sair, mas  acho que  o  S. João  desistiu e foi embora.
Texto Originalmente  postado na Página  do facebook :  Borboletras