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terça-feira, 8 de outubro de 2019
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Resenha: Histórias Não Contadas Nos Almoços de Domingo de Filipe Smidt Nunes
Histórias Não Contadas Nos Almoços de Domingo
Quando peguei o livro nas mãos, já gostei da capa. Na ilustração, o
recorte de um dia de domingo com familiares, amigos, e no
meio um cachorro. A ele oferecem não um
pedaço de carne, mas um caulezinho de brócolis.
O livro é composto por 25 pequenos contos, uns narrados em primeira, outros em terceira pessoa. Perfeitos
para serem lidos, em pequenos espaços de tempo,
entre uma aula e outra, no consultório à espera do medico ou dentista,
aguardando o Uber ou mesmo naquele restinho de dia quando já na cama, chamamos
o sono pra levar embora nosso cansaço.
O autor, um jovem graduado em Direito, Filipe Smidt Nunes cuja sensibilidade
e talento se alastra como fogo em palha seca por entre as palavras muito bem
escolhidas, formando frases cheias de conteúdo e significado. A Editora, a
Metamorfose, uma empresa nova no mercado que já vem se
destacando pela qualidade das obras que edita.
Essas histórias não contadas
nos dias de domingo vão fazer você sentir na pele o frio de outros
corpos, vão fazer você vivenciar a realidade sob a perspectiva de
outros seres cujos interesses e pontos de vista pouca gente percebe.
Neste livro reluz o conto que em minha opinião é um dos mais
belos da literatura brasileira: Mãe. Sem diminuir a relevância dos outros, esse
conto em especial, me fez fechar o livro, num susto, olhar para o alto e
suspirar. Comovida e por que não dizer,
assustada pela força da narrativa, caminhei pela casa, olhei a rua, as árvores,
brinquei com meus cães e gatos e voltei
à poltrona para ler os outros que igualmente, surpreendem e encantam.
Super recomendo essa leitura!
quinta-feira, 25 de julho de 2019
Pré Venda- Sherlock Cat
What happens in the lives of six cats on the day they move to a new house? What if, on top of all the curiosity and insecurity for the unknown, these kittens find out that they can be helpful? This is Sherlock Cat: A mix of supportive purrs with delightful findings. You will not want to miss it!
www.sinarafoss.com.br
sexta-feira, 19 de julho de 2019
Sherlock Cat - Em Português
O que pode acontecer na vida de seis gatinhos no dia que
mudam de residência? E se, agregado a toda a curiosidade e insegurança
do desconhecido, surgir uma imensa vontade de ajudar o próximo? Sherlock
Cat é isso: Uma mistura de ronrons solidários com descobertas deliciosas, e
você não pode ficar fora dessa!
Editora Metamorfose
Editora Metamorfose
Sherlock Cat - In English
What happens in the lives of six cats on the day they move to a new house? What if, on top of all the curiosity and insecurity for the unknown, these kittens find out that they can be helpful? This is Sherlock Cat: A mix of supportive purrs with delightful findings. You will not want to miss it!
Editora Metamorfose
domingo, 2 de dezembro de 2018
Autoestima Elevada é Tudo
Carros subiam em círculo naquela hora no estacionamento vertical procurando uma vaga. Poucos minutos faltavam para as 8 horas da manhã. Gerson observou pelo retrovisor um SUV vermelho. No volante uma motorista cuja beleza reluzia como um espelho no sol. Sem conseguir disfarçar sua admiração ficou encarando-a. A mulher saiu do carro movimentando-se como uma bailarina. Longos cabelos claros e ondulados caiam pelos seus ombros, a roupa que esvoaçava sem vento mal escondia um corpo cujas curvas fariam inveja a Afrodite. Sem conseguir vaga, contentou-se em vê-la desfilar em direção aos elevadores. Deu de ombros ao pensar que mulheres lindas como aquela, ligam para ele todos os dias.
Na manhã seguinte, o mesmo carro, a mesma hora, a mesma linda mulher Dessa vez não iria perder a oportunidade. Viu onde ela estacionou. Deu um jeito de entrar na primeira vaga à sua frente. Dessa vez, pôde ouvir o toque dos saltos de seu calçado em contato com o chão retumbando e sintonizando com as batidas cada vez mais aceleradas do seu coração.
Apressou o passo para entrar com ela no elevador. A deusa inclinou o corpo e segurou a porta sorrindo com expressão divertida. Os olhos feitos de um musgo escuro sorriram travessos. Dentes muito alvos combinavam com o rosto quase sem maquiagem. Uma mão pequena com alguns anéis e uma pulseira apertou o botão do andar pretendido.
Quando ia falar com ela, seu telefone tocou. A voz era um canto de sereia que o enfeitiçava. Apertou as mãos torcendo que a ligação terminasse logo. No entanto, ainda falando, ela saiu não sem antes levantar os olhos e sorrir.
Trabalhou manhã e tarde sem que se concentrasse em nada. Só pensava na mulher do estacionamento. Os dois encontrariam –se novamente, eles conversariam e é claro, ela se interessaria por ele. Pensou em qual restaurante iriam, que prato e que vinho escolheria para impressiona-la. Depois do jantar, a levaria a um lugarzinho mais reservado, com alguma música ao vivo. Isso tudo, se sua conversa fosse envolvente e se equiparasse a sua beleza. Se ao contrário, fosse uma mulher chata e vazia, faria como sempre. Programaria o telefone pra tocar meia hora depois do início do jantar. Se a companhia estiver agradável apenas dispensará a ligação, senão, aproveitará o ensejo com a desculpa. Sairá apressado sem nem pagar a conta. Riu sozinho, pensando que é um ótimo ator!
No final do expediente subiu pela escada de dois em dois degraus. Ao chegar ao estacionamento procurou o carro dela. Na vaga da camionete vermelha, estava um carro branco menor. Sacodiu a cabeça e sorriu confiante. Sabia que mais dia menos dia iriam se encontrar e seu plano seria bem sucedido.
Ao se aproximar do carro viu um papel branco, pequeno, preso no limpador de para-brisas. Diminui o passo, estufou o peito, olhou para o lado. Sorriu com a boca torta sem mostrar os dentes. Sabia que ela não iria embora assim, sem deixar seu contato.
Assobiava uma música quando pegou o papel. O sorriso morreu, a confiança fugiu de seu rosto ao ler:
- Multa Por Estacionar em Vaga para Deficiente
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
Novembro Azul
João Temente
parou na frente do prédio onde destacava se a placa com letras grandes: Clínica Vitae. Passou pelo pátio gramado e as folhagens viçosas.
Ao lado, um enorme estacionamento. Olhou
o papel em sua mão, confirmando o
endereço e entrou sem pensar muito. No térreo, uma moça amável recepcionava atrás de uma mesa retangular de vidro muito
limpa, vestia calça e jaleco brancos. O cabelo
preso num coque no alto da nuca, deixava
bem a mostra o seu sorriso amistoso.
- Boa tarde,
Sr João. – Ela entregou a requisição que
ele lhe mostrara ao chegar. Joao jurava
que conseguiria ver até os seus sisos
- Aguarde um pouquinho, por favor. Houve um pequeno
imprevisto, mas está tudo sob controle. - Ela apontou uma das poltronas azuis dispostas na sala de espera.
– O senhor pode servir-se de café, água ou chá nas nossas
máquinas. Fique calmo.-
Sorriu novamente - Vai dar tudo
certo! É um exame rápido, e simples.
Joao abaixou a
cabeça, apertou os lábios esperando que ninguém tivesse ouvido. Era a primeira
vez que fazia o tal exame e sentia-se inseguro. Nos assentos à sua frente, aguardavam
dois homens com idades semelhantes à sua, e três mulheres
. Duas conversavam amenidades e a terceira, silenciosa, folheava
uma revista. João olhou o
relógio. Eram 9.00 h. da manhã.
A porta de
ligação entre os consultórios e a recepção se abriu. Um homem jovem vestindo
roupas alvas cuja estatura quase chegava
à soleira da porta fez sua respiração
parar. João observou o tamanho de seus dedos quando a recepcionista lhe entregou a lista dos
pacientes da manhã. Percebeu que
sua mão aberta, era maior que a folha A4. Pela primeira vez em sua vida, prestava a atenção em mãos masculinas.
Puxou do bolso
um lenço xadrez e secou o suor
que pingava. A transpiração
escorreu nas têmporas, atrás do pescoço. Levantou e foi até o bebedouro pegar um copo de água
gelada. Pensou em sair, ir embora.
- Dr. Lacerda, Bom dia! Já vou
começar a passar suas pacientes. – O sorriso dela
aumentava seu desconforto. Lacerda...Lacerda não era o nome do seu
médico. Olhou pela quinta vez o nome na requisição: Dr. V Bellfort
Soltou o ar
como se fosse um balão de aniversário desinflando, o som foi o mesmo. Os outros
pacientes na espera, o olharam curiosos, preocupados até com seu bem estar. Sorriu, sem graça e
ajeitou-se no assento.
Virou o
pescoço para o alto e suspirou. Pensou
nas piadas e brincadeiras dos amigos
quando falavam em urologistas e exame de toque retal. Sabia que era necessário
avaliar a saúde da próstata. Todos os homens
com mais de 50 anos de idade
precisavam realizar esse exame
anualmente.
A mão do médico não saía de sua cabeça, o tamanho de seus
dedos...
Não ia fazer o exame. “ Seja o que Deus quiser” - pensou -
“mas não vou fazer!”
Joao suspirou fundo e levantou. Dessa vez
soltou o ar pela boca sem fazer
barulho. Olhou para os lados planejando
a saída. Coçou o nariz e saiu à rua sem olhar para trás. Quanto mais se
afastava da clínica, mais rápido caminhava. Chegou ao carro e partiu.
Quando a médica com cabelos castanhos claros ondulados,
corpo estilo mignon, chamou o seu nome na
recepção João nem ouviu.
- Senhor João. João
Temente. – Repetiu mais alto a médica
proctologista com mãos delicadas – João
Temente.
- Doutora Vanessa – Explicou a recepcionista com voz carregada de desculpas
- Não
vi sair, mas acho que o S.
João desistiu e foi embora.
Texto Originalmente postado na Página do facebook : Borboletras
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