Friends are not FOOD

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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Depoimento de Yully Henrique Fernandes de São Paulo

Bom, vou ver se lembro de tudo que ia comentar...rs
Tbm estudei num colégio chamado Santa Teresinha e tbm assino meus livros com a data na página inicial! rs Começando pelo primeiro, das memórias do Xôlo... Só adotamos cachorro idosos, damos preferência pq sabemos que são mais difíceis de doar, de qualquer forma, acho que as crianças têm mais pique pros filhotes...rs. então sempre ficamos pensando qual seria a história real deles, geralmente sabemos uma pequena parte, de quem resgatou, etc. mas nunca a fundo, às vezes nos perguntamos se tiveram donos, se sempre viveram na rua, se tiveram filhotes, percebemos que alguns têm medos específicos, (tinhamos uma que morou em um posto de gasolina e as pessoas para agradar davam sempre comida, ficou tão obesa que não conseguia levantar, então jogavam os carros ameaçando atropela-la para força-la a levantar, ela odiava carros...). Ás vezes nos perguntamos quais eram seus nomes antigos e até tentamos chamá-los por alguns mais comuns...rs mas nunca descobrimos...rs alguns têm cicatrizes, que não sabemos se foi de apanhar, de briga, de acidente sozinhos, etc. Enfim, mas sempre dizemos: "seja lá o que vcs passaram, saibam que aqui o sofrimento acabou."  O "memórias" me deixou de coração apertado, pq sabemos como os animais de fato sofrem por aí... mas ainda assim achei uma leitura leve, li este e o "divagações' num dia. Agora só falta Sissi na África e Caminhos interligados.... 
Acho que já comentei que tbm sou vegetariana, na verdade vegana...rs então adorei a abordagem sobre direitos dos animais e sobre os autores. Além disso sou formada em gestão ambiental. Gostei muito de tudo que vc comentou sobre meio ambiente e os cuidados que devemos ter, vc abordou de um jeito que tanto quem é da área quanto quem não é consegue entender.... Eu não conhecia Ecocriticism, gostei muito de aprender e vou pesquisar mais sobre... Não lembro em qual dos livros vc comentou sobre as ilhas de lixo nos oceanos, e achei legal pq é um assunto que deveria estar super em evidência e não está... e ainda mais legal o fato do livro já ter abordado isso há alguns anos atrás... Eu escrevi um artigo para um blog esse ano sobre isso, citei o charles moore inclusive, vi um documentário onde ele explicava algumas coisas tbm, não me lembro o nome agora, talvez seja "trashed"... legal ver seu interesse por esses assuntos e principalmente saber que existe mais gente preocupada. Quando a gente lida com essa área ambiental, animal e até social, vê quanta coisa ainda há por fazer, e é sempre mto reconfortante encontrar pessoas que tbm já tenham despertado pra esse assunto, dá um ânimo a mais. :) 
Achei interessante notar algumas variações linguísticas por conta dos nossos estados, alguns termos aqui são diferentes dos que vcs usam, gosto mto dessa variedade do Brasil... :) Além disso, com as histórias a gente acaba conhecendo um pouco mais sobre vc e sua família humana e felina e canina...rs bem legal!! 
Talvez vc já tenha feito isso, mas em todo caso,pensei que seria legal se vc traduzisse seus livros pro inglês, ou pelo menos trabalhasse com eles em sala de aula pros seus alunos... já uniria o útil ao agradável...rs Esqueci de comentar mas tbm sou espírita...rs na verdade acredito um pouco em cada religião sem me prender muito a nenhuma, visto que o destino é o mesmo, mas pratico mais o espiritismo... talvez vc já conheça, mas tem uns livros bem legais do Marcel Benedeti sobre a espiritualidade nos animais, ele foi um dos fundadores da Asseama, um centro aqui de sp que atende animais além de humanos, e eles possuem um restaurante vegano tbm... se algum dia vc vier vale a pena conhecer, só que é bom confirmar horários pq parece que só funciona alguns dias e no período noturno. 
Seria muito bom se seus livros estivessem em bibliotecas e escolas aos montes! Seria praticamente uma utilidade pública... :) 
Bom, é isso! Parabéns pelo dom de escrever e por abordar temas tão importantes de uma maneira tão agradável de ler.... Obrigada por tudo que faz pelos animais e um abraço a todos os seus...rs :)

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Envenenar animais é CRIME- Lei Federal 9.605/98 Decreto-Lei 24.645/34

O Artigo  32 da Lei de Crimes  Ambientais é CLARO -Matar Animais é Crime
A Lei  41/1989  proibe: " Utilizar, aplicar, comercilaizar, manipular ou armazenar pesticidas, raticidas, fungicidas, inceticidas, agroquímicos e outros  congêneres, pondo em risco a saúde ambiental, individual ou coletiva, em virtude de uso inadequado, ou inobservancia das normas legais, regulamentares ou técnicas, aprovadas pelos orgãos competentes ou em desacordo com os receituários e registros pertinentes."
A lei veda que lancem quaisquer produtos que contaminem o solo, o sub solo e o ar, as águas, a fauna a flora.
Ou seja,  esse veneno, essa substancia usada  para  matar  um animal continua viva, ela  segue seu curso  contaminando a água que seu filho vai beber, o ar que seu filho vai respirar, a terra  de onde seu filho vai tirar sustento.
Se você nao gosta de animais, não maltrate. Se você não pensa  nele no que ele sente, pense em  você, na sua  saude, na saude de sua familia.  Ao matar um animal por envenenamento, você está matando pouco a pouco  as pessoas que você  gosta.
 E você  que teve seu  animal envenenado, denuncie. Denuncie  na Delegacia  de Policia mais próxima de  sua casa,  Denuncie  a PATRAM, Denuncie  ao IBAMA. A falta  de denuncia, vai  dar a falsa impressão que tudo pode. A falta de denuncia e condenação é um convite a  essa gente  que mata animais a  continuarem  matando.
Se eles não tem consciencia,  tenha você.

Combo 2- Coleção Em Busca de Um Mundo Melhor


A Coleção "Em Busca de Um Mundo Melhor"  apresenta os livros
Divagações de Sissi (2010)
Sissi e sua Turma no Futuro (2011)
As Divagações Continuam (2011)
Sissi na África (2012)
Eles contam as experiências de uma turminha  de cães e gatos nas mais diversas  situações, sempre  tendo em vista a educação  ambiental  e a conscientização  animal.
A Coleção  custa 95,00  com as  despesas de correio.
Quem quiser  adquirir  fale  comigo pelo email   sinaragfoss@gmail.com  ou pelo facebook

sábado, 27 de junho de 2015

COMBO 1

Memórias de Um Cachorro Velho  é um livro que conta  as lembranças  de Xôlo desde  seu nascimento até  o presente.  É um livro realista. O que acontece com Xôlo, se passa com muitos outros personagens anônimos que vemos nas  estradas e ruas todos os dias. Você vai se emocionar. Se  você  gosta  de  animais, vai  chorar e  se não gosta muito, esse livro despertará em você um sentimento  até então  escondido.


Sherlock Cat é o primeiro  livro da  série  de  investigação dos detetives  gatos.  Você vai ver nestes personagens, os  trejeitos dos  seus ai da sua casa! 
Os  dois livros  custam 45,00  com a postagem módica!
Deposite  o valor  no 
Banco do Brasil
Banco 03697   CC 10.419-1
ou 
Caixa Federal
Banco 0703   001 CC 00021899-5  e envie  seu comprovante  com endereço para entrega  no email  sinaragfoss@gmail.com ou por mensagem  no facebook.
Boa leitura!  Os animais agradecem!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Adoção : Orestes e Desolo


“Regana era uma mulher solteira funcionária pública de seus mais de cinqüenta anos. O ventre já seco lhe impossibilitara de ter seus  próprios filhos.  Na sua solidão, vivia entre  a cruel dúvida: Adotar uma criança  ou um cachorro para lhe fazer companhia. Falou sobre o assunto com algumas amigas ( que tiveram mais sorte e tiveram filhos) e outras  que como ela não provaram o gostinho da maternidade. As opiniões  se  divergiam, mas a opção  de adotar uma criança foi a mais  aprovada. Alguns dos comentários  foram esses:
“Não vai gastar com um animal, tendo tanta criança  necessitada  precisando de atenção”
“Um animal dura no máximo 15  anos  e vocês ficarão velhos juntos. Você não terá como cuidar dele... a criança cresce e poderá cuidar de você.”
“ Gente é gente, animal é  animal. A vida de uma  pessoa  humana  vale mais do que a vida de um animal. Se pode,  ajude  um ser humano, não um animal irracional.”
Regana adotou uma criança: um menino de cinco anos, olhos vivos, bochechas gordas e rosadas.  Colocou-o em uma escola particular de Irmãs Católicas, na Escolinha de Futebol e na Natação. Deu a ele todo o seu amor que a vontade de ser mãe acumulara ao longo dos anos. Como ele não tinha ainda registro, deu-lhe o  nome  de Orestes.
                              Por essa época, largaram em frente ao seu portão um filhote  de cachorro franzino com falhas no pelo branco com manchas amarelas. Decidida a não adotar o animal porque havia adotado uma criança, Regana  começou a  alimentar  o cão, mas  não  o colocou pra dentro do pátio. Todos os dias ele aparecia para comer e abanar o rabo. Foi se criando pela rua, às vezes acariciado, outras vezes, xingado e chutado, mas sempre  com ânimo para abanar  o rabinho para todos, até para aqueles que lhe faziam mal. Chamava –o de Desolo. 
                           O tempo passou e Orestes, apesar de toda a educação e carinho  entrou no mundo das drogas. Regana, nada percebeu. Com mais de sessenta anos, não conhecia as características  e trejeitos de viciados.
                          Uma tarde de uma dia que começou chorando, nem o pára-brisa do carro deixava visível a rua, Regana foi abordada no estacionamento do supermercado aonde comprava as  bolachas  favoritas  de Orestes e  ração para Desolo.  Percebera que eram 3 elementos encapuzados. A primeira atitude foi correr. Ouviu as conversas deles e reconheceu a voz de um. O peito e o estômago se fundiram num só órgão, apertado, esmagado. Uma facada de decepção cortou seu corpo.
                        - Por que isso, Orestes? Por quê? -Sem responder, o encapuzado engatilha a arma. Em vão tentou correr ate o carro. Por um momento pensa que ele não teria coragem de machucá-la, não depois de tudo. Neste breve momento lembra o seu primeiro dia de aula, as aulas de natação, os campeonatos de futebol... Um estampido seco acompanhado de um queimor nas costas  a fez cair. Deitada no chão, o sangue se espalhando pelo  cinza da calçada, fixa seu olhar no encapuzado que falava aos outros:
      - “Ela guarda tudo o que tem numa gaveta na cabeceira do quarto dentro  de um envelope pardo. Deve ter pouco dinheiro na bolsa. Vamos lá!”
Um dos outros corre e pega a bolsa já molhada de sangue  que ela levava junto ao ombro. Ao desvencilhar a bolsa do corpo caído ainda desfere dois chutes. O segundo ela já nem sente mais. Aquele encapuzado cuja voz reconhecera para em sua frente e se mostra. Seu rosto impassível, não fala de qualquer sentimento.  Ela nem se assusta mais, já sem forças de fixar os olhos em Orestes ali na sua frente.
Roubá-la por quê? Acaso tudo o que tem não será dele quando morrer? Acaso ele não sabe que é seu único herdeiro, ficaria com a casa e com algum dinheiro que tem guardado...
Esse foi seu último pensamento. Entrava no mundo dos mortos com a imagem dele. Seu derradeiro suspiro fora ali, no estacionamento do supermercado, na frente daquele  que criou como filho. Filho do seu carinho.
O enterro no dia seguinte foi acompanhado de poucas pessoas. Sem família, poucos amigos e alguns vizinhos. Regana teve uma cerimônia simples. Orestes e os outros dois já estavam detidos, mas por serem menores de idade logo estariam soltos. O morador da frente  o flagrara com mais dois rapazes vasculhando  a casa  no dia da morte e a policia  os identificara.
Alguém porem acompanhou o féretro de longe, devagarzinho. O velho cão Desolo quietinho entendendo tudo ia atrás  do grupo que acompanhava o caixão até a cova.

A ultima morada de Regana teve a companhia solitária de Desolo que definhou ali , sozinho, sobre a lápide até a  sua morte.”

terça-feira, 7 de abril de 2015

Animais personagens


Sissi é a cadelinha,  narradora da coleção  "Em Busca de Um Mundo Melhor"  que começa  com  o livro "Divagações de Sissi"   publicado em 2010. Logo após, foi lançado o livro "Sissi e sua Turma no Futuro", As Divagações Continuam, seguido de "Sissi na África"

Ao comprar esses livros, você  estará  ajudando a  escritora e protetora  a  pagar  castrações e atendimentos  nas clínicas veterinárias,  de  animais  carentes ou de rua.
O kit da Coleção da Sissi   custa  88,00 reais, incluindo os quatro livros mais as  despesas de correio.
Quem quiser  comprar  de um em um, o valor  de  cada é  20,00  mais  as despesas  de correio.


Deposite  o valor  no 
Banco do Brasil
Banco 03697   CC 10.419-1
ou 
Caixa Federal
Banco 0703   001 CC 00021899-5  e envie  seu comprovante  com endereço para entrega  no email  sinaragfoss@gmail.com ou por mensagem  no facebook.
Boa leitura!  Os animais agradecem!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Com justa causa


O vômito saía em jatos sobre o carro vermelho estacionado no pátio. O reflexo  da  lua fazia o líquido viscoso brilhar ainda mais ... Sentia se observada. Sabia que  a patroa  espiava de algum lugar, seu olhar queimava às suas costas. Ouviu o barulho da  porta de correr. Precisava da sua cama. Queria que o chão se firmasse e o mundo parasse de rodar. Segurou-se no carro para não cair e vomitou  mais um pouco sobre o capô. A pulseira de caveiras arranhou a pintura no lado da porta do motorista. O barulho do metal arrastando na superfície do veiculo  arrepiou seus dentes.

-  Me adianta  um dinheiro?  Tua mãe saiu e não me deixou nada..
A moça, filha mais  velha  da patroa, sentada  no sofá da sala com um livro aberto no colo, levantou os óculos de grau e disse:
- Mas não faz um mês que tu trabalha aqui, faz? – Ela franze a testa
A empregada  torce a boca, sacode  a cabeça  de uma lado pra outro e levanta os dois  braços  sem acreditar:
- To pedindo um adiantamento, né!  Vou no baile e preciso de algum...
- Eu não tenho muito... De quanto tu precisa? – Puxou a bolsa e abriu a carteira.
- Ah tem  que ser  uns  cinquentinha...senão não dá  nem pra saída. – A estudante  abaixou os óculos e alcançou a cédula de cinqüenta reais  pra  empregada  que saiu se sacudindo. Dançava  antes mesmo de chegar à festa.


Sempre  acabava o serviço antes das seis e  saía  para caminhar até a noite. Sem avisar, deixava  a casa e saía sem rumo.   Adorava fumar e perambular  na companhia das luzes dos  postes e da ponta do cigarro que acendia a cada tragada. Caminhava com as pernas entreabertas, as calças caídas. Queria ter  nascido homem.
Detestava aquele serviço. Odiara também os anteriores. Fora pra escola obrigada pela mãe. Terminara o Ensino Fundamental há poucos anos com muito custo e atraso. O que poderia fazer para  ganhar dinheiro ?  Nada, nada além  de  limpar a casa  dos outros que  estudaram mais ou tiveram a sorte de nascerem  bem.


Ouviu  ruídos  dentro da  casa, miados de  gatos, mas não conseguiu prestar muita atenção.Era tão longe, um outro mundo ofuscado  pela cerveja.  A cabeça pesou e ela precisou vomitar mais um pouco.
A porta envidraçada  de correr se abriu  e se fechou novamente. Tentou se equilibrar e chegar na área. Caiu sobre um vaso de folhagens que a patroa insistia em  deixar ali e arranhou a mão no piso.
Não soube quantos minutos  passou . Caída, vomitando. A porta  arrastou. Levantou e conseguiu  chegar  na área e engatinhar até o seu quartinho. O banheiro era  a próxima porta mas não tinha  forças de ir até  lá e tirar as roupas, quanto mais  tomar um banho.
Deixou-se  ficar na cama, a porta entreaberta. Teve um acesso de riso ao perceber que os gatos cujo “quarto” era ao lado do seu, haviam sido retirados. Imaginou que a patroa tivera medo  que ela caísse sobre eles e  os  transportara para  outro lugar mais seguro, quem sabe a garagem... A risada ecoou nos fundos da casa.



Na cozinha, um barulho de torneira aberta e louças. O barulho do fogão elétrico cutucava  o seu cérebro,.. Era a patroa que sempre acordava com as  galinhas. Olhou no celular, sete horas.  A cabeça latejava. Pegou o travesseiro e  cobriu a cabeça tentando não pensar  no cheiro de café que invadiu o ar.
Acordou mais tarde com a boca seca, a dor pulsava nas têmporas.  O celular marcava 10h30min. A essa hora a patroa  estava dando aulas de inglês na sala do outro lado da residência. Sentou-se na cama devagar. A cabeça pesava cem quilos. O quarto rodou e deitou  outra vez  sem dormir.
Mandou uma mensagem pro celular da patroa:
Preciso falar com você. Me ligue  ou mande uma mensagem.
Menos de cinco minutos  se passaram e viu o rosto da patroa na porta do quartinho:
- Tu estás mandando mensagem daqui? – a patroa com olhos bem abertos sacode a cabeça de um lado a outro sem acreditar.
- Me traz um comprimido pra dor de cabeça?-
Um minuto depois  viu  voar em cima  da cama um envelope laranja com dois  analgésicos.
Sentindo-se melhor  tomou um banho e saiu com a mochila  nas costas. Fim de semana, a idéia era ir pra casa da mãe na  cidade vizinha.
Na  rodoviária sentiu-se mal. A cabeça doía demais. Nem lembrava há  quantas horas  estava sem se alimentar. Desde  o almoço do dia  anterior sem comer.  No estômago, só cerveja e os dois comprimidos com água  pela manhã.
Mandou um  “Me liga”  pra patroa que retornou na mesma hora.
- Ai, to aqui rodando, a minha cabeça não pára de doer e eu quero ir pra casa da minha mãe, mas não posso entrar no ônibus vomitando...
- Venha para  cá,  tome um banho e  durma um pouco. Pegue  o ônibus mais tarde....
-Eu não vou voltar pra aí.  Eu.... - Ela a interrompe:
- Venha para  cá,  tome um banho e  durma um pouco. Pegue  o ônibus mais tarde....
A  patroa desligou.
Deixou a rodoviária  chorando muito  sob os olhares de outras  pessoas esperando ônibus. Vagou pela cidade, sem forças  sentou-se no terreno baldio ao lado de uma fruteira  e ali ficou. Adormeceu na grama. Acordou horas depois com o barulho das vozes de quem passava na calçada.
Tapeou a  roupa pra tirar os ciscos e  caminhou   até uma  parada de ônibus. Pegou o  primeiro  que  veio e foi pra casa da mãe.
No outro dia, domingo à tardinha, ligou  pra patroa:
- Oi, sou eu...  Tu vai dar aula amanha cedo? – sem deixar a patroa  responder continuou -  Se for,  eu vou mais cedo pra limpar a  tua  sala...
A voz ríspida do outro lado do  aparelho diz:
- Não precisa  mais vir pra trabalhar. Venha apenas para pegar tuas  coisas  e receber  os teus direitos.
- O que? O que houve? O que foi que eu fiz?
Do outro lado um suspiro e a voz  ainda mais seca:
- Se tu não sabes o que tu fizeste,  eu é que não vou te dizer.
Larga o celular  sobre a mesa e com as mãos  na cintura se vira  para a mãe e diz:

- Mai Godi!  Que gente mais estressada! Tá louco, hein?